Neste espaço, pretendo publicar algumas informações a respeito de meu trabalho, tanto como compositor/instrumentista, quanto como professor.
Estejam à vontade para fazerem comentários, críticas, sugestões, opiniões, etc.
Para começar, gostaria de estar comentando a respeito da minha composição "Dança dos Ventos".
Esta peça foi composta em 1996, quando havia recém chegado de Portugal. A composição foi inicialmente seqüenciada em MIDI ficando arquivada por 10 anos, quando ganhou vida própria.
A gravação foi realizada no Studioflat, para o CD de Joel Brito & Janet Machnacz "Silêncio das Estrelas".
Esta gravação tem uma história interessante, pois de certa forma contraria a seqüência cronológica "natural" dos procedimentos de uma gravação.
Como "click" foi utilizado um ritmo básico com shaker programado pelo técnico de som e baterista (multi-instrumentista) Neto Fernandes, por ser uma referência rítmica mais musical do que um simples metrõnomo . A idéia seria a partir daí gravar os violões-guia, para que os outros músicos, em um outro momento, sobrepusessem suas partes, e eu finalmente regravasse os violões "valendo". Inicialmente gravei o violão nylon que fazia a base e a melodia simultaneamente, no estilo "chord-melody". O violão foi afinado meio tom abaixo, pois a "tonalidade" original, Si Maior, seria desconfortável para o sax tenor. Assim, ela ficou em Si bemol Maior, o que para o tenor (instrumento transpositor) resulta em Dó Maior.
Terminada a base-guia no violão, improvisei um solo no mesmo instrumento, apenas para sinalizar e demarcar aos outros músicos onde seria o meu solo. Não houve uma preocupação maior com o timbre, ou com as notas perfeitas, já que essas pistas-guia seriam posteriormente eliminadas. Foi utilizado apenas um microfone, ao contrário do usual par de microfones em estéreo, que seria utilizado caso fosse uma gravação definitiva (durante a introdução ouve-se inclusive o chacoalhar do meu relógio, que esqueci de tirar antes da gravação).
O Neto me pediu apenas algumas idéias de como seria a concepção geral da música. Dias depois, ele me enviou o mp3 com os violões e a bateria que ele havia gravado, junto com os teclados e percussão (também executados e gravados por ele!). Para minha alegria, vi que ele tinha "quebrado tudo", ou seja, não só ele captou com perfeição a idéia, como interpretou as sutilezas das minhas frases no improviso, e obviamente, acrescentou muito com sua musicalidade e técnica. Ouvindo diversas vezes a gravação, cheguei então à conclusão de que o improviso-guia do violão era insubstituível, apesar de algumas falhas, e apesar do timbre não ter sido o ideal. Mas a coerência das frases e a "narrativa" em si me deixaram com a sensação de "não vou conseguir fazer melhor do que isso". Assim, continuamos o processo e, aqui em casa mesmo, o baixista Rafael Calegari fez uma grande execução.
Tendo a "cozinha" (e o solo) prontos, o próximo passo foi gravar o violão de aço base, substituindo o original de nylon. Ele deu mais brilho que o nylon, é mais percussivo, e preenche menos os médios, ideal para este caso.
Aliás, a gravação do baixo e do violão de aço foram a estréia da minha nova placa Delta 1010-LT e dos microfones AKG C3000B. Totalmente aprovados. Assim, pude fazer as gravações aqui em casa e mandar os arquivos .wav pro estúdio pelo MSN! Coisas do século XXI!
Por último, Joel e Janet acrescentaram a voz e o sax, respectivamente.
Com o toque de mestre do Neto, a mixagem ficou ótima, e talvez seja a melhor gravação que uma música minha já tenha recebido (por enquanto)!